A gente tapa os olhos, a vida rasga as vendas

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Que me perdoem os poetas, mas nem sempre teremos estrutura emocional para sentir todas as coisas. Quem aguenta trabalhar oito horas por dia, fazer aquela pós-graduação, freelas que patrocinam o cafézinho gourmet, vida social, amorosa, religiosa e uma olhadinha rápida no Insta Stories

A gente é exposto a milhões de estímulos diários e é impossível reagir a todos eles. O que eu quero dizer com isso tudo é que, muitas vezes, a gente deixa algumas coisas de lado, deixa de se importar com algumas chateações para aguentar firme até o fim do dia.

Quantas vezes você não lotou sua agenda só para despistar um coração partido? Quantas vezes não procurou se dedicar mais ao trabalho pra não pensar "por que ele(a) não responde minha mensagem"? A gente vai fechando os olhos para situações que nos atormentam, só pra ter a falsa sensação de estar em paz.

Mas como nenhuma narrativa vive só de médios, vem a vida e rasga nossas vendas. Olhe! Perceba! Não adianta tapar o sol ou com a peneira, ou com uma cortina blackout. Em algum momento a gente precisa encarar nossos fantasmas, nossos incômodos e decidir o que vamos fazer com aquilo. Aceitar e continuar doendo? Abrir mão e mergulhar no novo?

Por mais que a claridade nos coloque numa zona de total desconforto, a chegada desse momento é implacável. Não dá pra viver pra sempre num comodismo meia boca de quem se adaptou ao escuro: há muita coisa passível de admiração lá fora para você se restringir ao que é prático. Não vale a pena ocupar um lugar só para ele não ficar vazio, quando muitas vezes você nem precisa dele. O que vem depois das vendas no começo pode doer, mas com o tempo ficará lindo.