Um texto bem pessoal sobre 2016


Sempre gostei dos anos pares. E 2016 foi um ano bem peculiar - ninguém fala de outra coisa. Muito ruim pra uns, muito bom pra outros - e eu me encaixo nesse último grupo. Aconteceu muita coisa que a gente vai custar pra esquecer. Aliás, custar pra entender. Em meio a tantos paradoxos, nostalgias, ganhos, perdas, resolvi compartilhar um pouquinho do que foi isso tudo.

Em 2016 eu descobri que eu consigo sim, me reinventar. E que só dá pra descobrir isso de uma forma: reinventando-se. Fui agraciada com livramentos, perdas, crises, diversas experiências inéditas e muita sabedoria. Tal sabedoria que a gente sempre acha que tem, descobre que não tem e só a obtém do jeito mais primitivo: quebrando a cara. Errando. Esperneando mesmo. 

Entendi que a gente tem um baú imaginário gigantesco, no qual uma força maior (que eu denomino de Deus) despeja vários itens: situações para você exercer a paciência, o respeito, o amor-próprio, a resiliência, a força, a paz interior. Em 2016 eu descobri que nenhuma dessas virtudes acompanha nossa versão de fábrica: precisamos desenvolvê-las, muitas vezes pela dor. 

Nesse ano eu aprendi a me dar o tempo necessário até eu me lembrar de quem eu sou, aprendi quão precioso e duradouro é o domingo quando ele é o único dia que você tem pra descansar. Aprendi que muita coisa não é tudo aquilo que a gente espera - o que me levou a repensar muitas das minhas vontades. Percebi que dá pra ser muita coisa, e continuar sendo a mesma pessoa. Do jeito bom e do jeito ruim. Quem entende?

Aprendi que meus ídolos são pessoas absolutamente normais, que dormem, acordam, comem, vão ao banheiro e têm dor de cabeça também. Comecei a encarar as decepções com outros olhos e agradecer. Entendi que as coisas terminam e os horizontes mudam. 

2016 foi o ano em que eu aprendi a me respeitar: a gente fala tanto de respeito, bondade, altruísmo, solidariedade, e muitas vezes não percebe o que faz consigo mesmo. Pare de se torturar, de se cobrar tanto, de querer entender tudo, ter tudo, ser tudo, corresponder a tudo. Às vezes a gente só quer um tempo sem pensar em nada e gastar trinta reais num pote minúsculo de sorvete: que assim seja. 

Sempre termino os textos com uma sensação de que está faltando algo, que não concluí o pensamento: e as coisas são assim mesmo. É tudo trajetória, inconstância, caminho, metade-feita. A gente vai terminar o ano muito provavelmente sem cumprir todas as promessas de 2016 - mas em 2017 talvez você nem as queira mais. A gente muda mais do que os anos - hoje, nisso consiste minha graça em viver (amanhã é outra história. E outro dia. Outra vida).