Permita-se fraquejar


Tem dias que a gente quer jogar o celular na parede, bater com um martelo na tela do computador ou soltar o volante numa curva a 110km/h. Tem dias que a gente só consegue pensar em desistir e não há santo que mostre que em algum lugar há luz. 

Então eu resolvi dizer uma coisa para vocês: permitam-se fraquejar. 

Permita-se fraquejar porque simplesmente é impossível levar a vida com um eterno sorriso de orelha a orelha, ainda por cima dormindo só umas seis horas por dia. É desgastante demais viver em um mundo onde a felicidade precisa ser escondida debaixo do travesseiro, para não causar inveja. É difícil amar em uma sociedade que pixa o não-demonstrar nos corações alheios. É praticamente nula a possibilidade de chegar aos trinta sem precisar sentar na cadeira do psiquiatra. 

Esse texto não tem uma fórmula pronta para levar uma vida mais leve, não se preocupar com a mensagem não respondida no WhatsApp, se o salário do mês que vem vai durar e se realmente ainda há esperança pra realizar um sonho. Esse texto é meu abraço para você e a confissão de que sim, eu também sou fraca e caio por aí (mais vezes do que gostaria de assumir). 

Quando o domingo à noite carrega o desespero da semana que está começando, já não dá para fingir que está tudo bem. Mas esse texto - embora redigido na amargura da vinheta do Fantástico - será publicado e lido na segunda-feira. Que ele seja como um girassol na sua janela, dizendo por entre as pétalas amarelas que ele uma hora também já esteve no chão. Hoje está aí, sorrindo para você, dando ânimo para prosseguir: sendo flor nos seus espinhos.

Que esse texto te abrace e feche um pouquinho sua ferida. Que a gente perceba que ser fraco não é vergonhoso, pois a cada vez que fraquejamos, uma folha desbotada do nosso livro é jogada fora - e uma outra de cor bem mais viva nos é dada de presente. Liberte-se das suas folhas velhas e abra seu coração para as novas cores. Acha que é coincidência estarmos na primavera? É tudo fase, meu amigo.