Mais um texto sobre os finais

FONTE
Eu sei que você montou aquela playlist para a nossa próxima viagem - mas não é no meu carro que ela vai tocar. Eu, que sempre gostei das suas playlists, agora preciso montar as minhas próprias (embora a gente saiba que eu fique presa no mesmo álbum por meses e que o Ciano já vai até fazer aniversário). 

Mas se ficar presa em um álbum fosse meu único cárcere, a gente até conseguiria dar um jeito, não é?

Juro que implorei a Deus para que fosse você. Rezei com a fé de quem tenta mover a cordilheira dos Andes com a mente, com a determinação de uma ginasta olímpica ao cravar um mortal duplo e a esperança de uma mãe que vê o filho indo embora. Foi aí que percebi que o tudo e o nada são quase a mesma coisa: são dois irmãos que andam lado a lado, se misturam, invertem seus papéis a qualquer momento. Quando você faz tudo e recebe o nada - que explicação melhor eu posso achar? 

Um dos meus cantores favoritos disse que "tudo não é nada se o mundo girar". O mundo transladou e eu me vejo aqui, acumulando os meus nadas. Mas ontem eu acordei com aquele texto do Gregório, então acho que tudo bem ter a necessidade de escrever sobre o que não volta mais. 

Quando eu paro para pensar em como as coisas são cíclicas, chego a me assustar. Há um ano eu declarei que a gente precisava aprender a dizer tchau - e você sabe que eu digo para os outros o que preciso dizer a mim mesma. Saturno já conseguiu diminuir a distância do seu retorno, antes faltavam sete voltas, agora faltam seis. A distância diminuiu, mas a necessidade de saber dar tchau parece aumentar: porque agora quem vai embora sou eu. 

Meu corpo vai embora, mas a alma parece estar presa num delay: não sei ao certo quando ela vai se despedir também. Espero que ela não se atrase tanto, temos muitos universos para desbravar. A gente custa a entender nossa pequenez, mas quando isso acontece, é como se um novo trunfo surgisse na manga: nós somos tão pequenos, porém com tantos universos para desbravar!

Seu passaporte está em mãos? Porque chegou a hora de uma nova jornada.