Perfeita imperfeição

FONTE
Já tinha ouvido muito sobre ser necessário amar os defeitos do outro, não as qualidades. Embora ouvisse, não entendia. Como alguém pode gostar de total desorganização ou perfeccionismo extremo?  Toc, manias estranhas, linhas assimétricas, comportamentos errados? Como seria possível alguém amar algo tão imperfeito? 

Não sei se hoje eu já entendo o porquê, mas sei que aprendi a amar o que parecia tão estranho. E quando você ama tudo isso, voilà: você encontrou a perfeita imperfeição. 

"Perfeita imperfeição" foi um termo que eu criei no alto dos meus 20 anos: é aquele amontoado de defeitos do outro que você guardaria numa caixinha, de tanto que os ama. É estranho como tudo de torto no outro se encaixa perfeitamente nas suas próprias linhas tortas - é como se cada passo errado conduzisse ao caminho certo. 

Se o meu eu de um ano atrás lesse este texto, possivelmente já teria fechado a janela no primeiro parágrafo. "Que besteira, como alguém pode amar um tique nervoso?". É, hoje eu amo. A gente muda e passa a enxergar tudo com novos olhos - é o poder transformador do amor de fazer com que a gente renasça de tempos em tempos. 

Sinta-se contemplado se você já encontrou sua perfeita imperfeição: você encontrou seu lar. Não a deixe escapar, porque vai ser difícil conhecer algo tão perfeito assim. Depois de um tempo, a gente descobre que o perfeito reside no imperfeito, assim como a luz reside nas trevas e a alegria está tão perto da tristeza. E viva nossos defeitos! Viva-os, meu caro. Viva!