Notas sobre a minha melhor amiga

(Dia 20 de julho é o dia internacional da amizade e então eu resolvi escrever um pouco sobre a minha melhor amiga.)

Eu e ela nunca fomos iguais. Nunca pensamos da mesma maneira, não temos a mesma crença, opinião ou posição política. Não temos os mesmos hobbies, não lemos os mesmos livros (com exceção de Harry Potter, obviamente), sequer moramos mais na mesma cidade, embora tenhamos morado no mesmo quarteirão por uns 10 anos. Nas brincadeiras, nunca brigamos por quem seria o personagem x, nossos gostos sempre divergiram: em Witch, ela era a Will e eu a Cornélia, nas Três Espiãs Demais, eu era a Clover e ela a Sam.

Tínhamos algumas semelhanças, é claro. Fisicamente, então, poderiam até dizer que éramos irmãs, mesmo eu tendo os olhos castanhos e ela olhos de um verde misterioso. Vale ressaltar que ela é virginiana e eu sou de Sagitário: a perfeição e o fogo descontrolado. Em todo esse tempo que já marca uns 14 anos nós não tivemos uma briga sequer. Juro, juradinho. 

Tem muita gente que pensa que, para as pessoas serem melhores amigas, elas precisam ser iguais. Ou então que elas se darão bem por serem iguais. Talvez nosso amor anule todas as nossas diferenças ou então essas mesmas diferenças se encaixem perfeitamente, vai saber.

A Carol sempre teve a serenidade que faltou quando Deus tava lá me desenhando, a paciência que alguém com o posto "minha melhor amiga" precisaria ter. Sempre me passou paz no olhar que contemplava uma pessoa aos prantos e sempre me deu a certeza (sem nunca dizer nada) de que estaria ali. Eu sabia. Eu sentia. Quando aquela menina de cabelo loiro escuro virou minha amiga lá na primeira série, eu sabia que ela não me abandonaria. Sabia que ela seria para sempre o que eu já falei mil vezes: minha melhor amiga.

A todo momento eu agradeço por ter encontrado alguém assim. Observo que muitas pessoas não têm a mesma sorte: têm uma melhor amiga a cada ano, a cada verão. Eu tenho uma para toda a vida e às vezes me pergunto se eu realmente mereço tanto. Um ser humano tão falho, várias vezes mandão, sentimental demais, exagerado, implicante. Como alguém assim poderia ganhar uma benção tão grande? Pois eu ganhei, e guardo na caixinha mais preciosa que alguém pode guardar algo: na alma. 

Ter uma melhor amiga assim é saber que em outras vidas, outro universo paralelo ou então na próxima esquina, sempre haverá alguém. É saber o que significa a palavra sempre, usá-la seis vezes em um mesmo texto e ainda nem ter um "sempre" por cada ano de amizade. Sete vezes, agora. Mas como o sete é o número mágico, da perfeição e até o infinito (vide Bíblia), acho que é um número bom. É o tamanho do que eu sinto: impossível de contar.