Não dá para ser quem eu não sou

Foto minha, só para argumentar o parágrafo 2, risos.
 
Sempre me repreendi por rir exageradamente e de maneira nada elegante, conversar muito até com que eu conheço apenas há meio drink, por sempre acreditar nas pessoas e acabar sendo deixada para trás, sempre agir de boa fé e esperar que os outros agissem da mesma forma. Nunca aceitei bem o fato de ser tão leal, intensa, idealizadora e exagerada.
 
Pudera eu ser aquelas mulheres elegantes, que riem discretamente, nunca perdem a pose e não se embaralham com os hashis - porque sim, eu sou daquelas pessoas que comem sushi toda semana e ainda precisam de adaptador. Por muito tempo tentei me sentir confortável nas roupas à vácuo de balada, nos saltos altos, fazendo coisas que eu não gostava. Por muito tempo eu tentei não ser eu mesma.
 
Por muito tempo eu desejei ser tão babaca quanto as pessoas com as quais eu me relacionava. Dessas que têm caso com 5 pessoas ao mesmo tempo - nada contra, mas eu nunca vou conseguir segurar com intensidade duas mãos ao mesmo tempo. Tentei, tentei muito ser impessoal, enganadora, engambeladora e leviana. Nunca consegui ser nada disso e olha, que bom: hoje eu percebo que não dá pra ser quem eu não sou.
 
Eu nunca vou deixar de acreditar que o bem sempre vence. Eu nunca vou deixar de, é claro, acreditar no amor. Nunca vou me sentir bem mentindo ou magoando alguém, nem conseguir não me magoar ao perder alguém ou não ansiar muito por um final feliz. Nunca vou deixar de passar mal de ansiedade por coisas simples e outras nem tão simples assim. Durante muito tempo eu achava tudo isso o cúmulo da ingenuidade e do, como está na moda, ato de ser trouxa. Mas agora eu entendo que esta sou eu: alguém que não consegue mentir nem para si mesma, que acredita muito nos outros e deixa esse coração bobo e imenso passar por cima de tudo.
 
Tentar ser alguém que a gente não é apenas nos afunda num abismo deprimente. Chega uma hora que simplesmente é impossível, é impraticável e doloroso. Rir demais, falar demais, acreditar demais, confiar demais provavelmente faz com que várias portas me sejam fechadas. Mas essas portas me levariam justamente para lugares onde eu não gostaria de estar, lares que eu não gostaria de habitar, transformariam-me em alguém que só iria me decepcionar. Hoje eu consigo aceitar com o coração aberto as minhas portas, as minhas falhas, os meus sentimentos e linhas tortas.