Sabe aquele vazio?


Sabe aquele vazio? Tem dias que ele é inevitável. Falta algo - sempre tá faltando algo, mas às vezes aquilo que falta, transborda, e vai transformando tudo em mero vácuo. Tem dias que parecemos exatamente isto: humanos preenchidos somente com o vácuo. 

Por mais que a gente tente substituir as trevas pela luz, a dor pelo sorriso, a morte pela esperança, às vezes, simplesmente, não dá. Não dá pra ser feliz, positivo, amável e radiante todos os dias. Mas isso não justifica também a amargura com a qual muita gente leva a vida. 

Eu defendo a ideia do permitir-se: e aqui dentro também consta o "permita-se ficar triste". Ficar, não ser. Tudo, tudo precisa ser vivido para que o intervalo entre o início e o término tenha um sentido. Porque sim: tudo vai ter um fim. 

Vai ter um fim o vazio de hoje, e ele pode ser amanhã. Ou pode passar só com o anúncio da primavera, através dos ipês que a gente vê por aí. A felicidade, a dor, a solidão: elas se vão, mas costumam vez ou outra bater à porta. E a gente precisa tomar a coragem e dizer: entra, toma uma xícara de chá. Toma aqui meu coração - o lar é passageiro, mas é bom anfitrião.