A flor que abriu

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Minha mãe ama orquídeas e tem várias em casa. Eu não entendo muito sobre flores, mas chega uma época em que as orquídeas decidem que vão florir novamente – se ficaram sob os cuidados em uma estufa ou então abandonadas, no tempo. E quando chega a hora das flores surgirem, minha mãe as leva para dentro de casa.

Esses dias reparei que uma das orquídeas que ganhei em uma fase triste estava lá, novamente habitando o balcão que separa o escritório da copa, com uns três ou quatro botões tímidos.

“Olha, daqui a pouco ela vai abrir”, minha mãe anunciou.

Mas acontece que os botões não viram flores de uma hora para outra. Flor assim, aberta, só depois de vários dias ou semanas. E então, quando eu olho de novo para aquele vaso: todas as flores já estavam mostrando por completo seu lilás e roxo. Por onde andei, que não consegui apreciar minhas flores desabrochando?

O trabalho, os compromissos impossíveis de desmarcar, o texto que deveria ter sido entregue ontem, os trabalhos e provas da faculdade – eles nos cegam de uma maneira absurda. Tapam os olhos da gente de uma forma que a flor que está todo dia ali, enquanto se toma café da manhã, sequer é notada. Quando foi que eu perdi o tempo de admirar uma flor ao tomar meu café preto?

A gente passa pela vida e vai esquecendo de olhar para as flores que se abrem. E elas abrem, como eu disse, na hora em que bem entendem – devemos ficar atentos. Devemos ficar atentos em observar as coisas lindas e não voltar nossos olhos apenas para aquilo que nos tira o sono. Hoje eu peço, por favor: olhe para a flor que abriu. Não espere que ela morra para notar.