Um dia a gente cansa

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Chega um dia que a gente cansa. Cansa da rotina, da vida que foi escolhida, do café da manhã de todo dia com pão sovado. Cansa das pessoas superficiais à nossa volta, com suas banalidades. Das regras, do despertador apitando meticulosamente às sete horas, do jornal do meio-dia.

Uma hora a gente simplesmente cansa. Cansa do preconceito alheio, das manifestações desrespeitosas, de quem nunca tem o que falar. Cansa de quem é amigo de todo mundo, quando, na verdade, não é amigo de ninguém; cansa da falsidade, do descaso, do falso moralismo. A gente cansa do maldito julgamento alheio, errôneo, perverso, invasivo.

A gente cansa. 

A gente cansa porque, assim como diz um dos preceitos universais: ninguém é de ferro. E quem tenta ser, oxida. A sociedade é corrosiva, peçonhenta e, aos poucos, vai desgastando toda luz, toda bondade, tudo de bom que habita naqueles que a compõem.

É, a gente precisa ser forte. 

Mas há algumas coisas que nunca nos cansam. Já reparou? A gente nunca cansa de um certo perfume, do cream cheese, do adicional de bacon e de companhia em um teatro. A gente nunca cansa do olhar de quem nos conhece mais que nós mesmos. É justamente com essas coisas que eu tento compor meus dias. 

É como o eletrodo de sacrifício - se você lembra dessa aula de química. A gente precisa se revestir de coisa boa para a maldade de fora não conseguir atingir. Não tem quem coloque sal grosso? Hoje eu revisto meu coração de sentimentos bons, de pessoas que não cansam, de perfumes que eu sempre quero sentir, sorrisos que dão vontade de sorrir junto. Muita coisa nos cansa, mas as importantes, essas sim, nos levam para frente.