Você não vai encontrar alguém


 Um dia, uma amiga minha me perguntou:
"Nadine, será que eu nunca vou encontrar alguém?"
 
A resposta mais clichê seria dizer que sim, você vai encontrar alguém no seu tempo certo, as coisas têm uma hora certa para acontecer e assim por diante.
 
Mas eu disse: não. Você não vai encontrar.
 
Até porque esse tipo de coisa a gente não procura. A gente procura uma calça que se ajeite nas nossas medidas, uma vaga fácil para estacionar sem fazer baliza, a chave que vive se perdendo dentro da nossa própria bolsa. Mas um amor não é o tipo de coisa que você vai procurar e encontrar. Você já parou para pensar em qual o lugar certo para encontrar o amor? Balada, fila do pão, Tinder, uma encruzilhada à meia noite? Sei que não. Porque ele não existe
 
Você vai esbarrar na pessoa certa para você naquele dia em que a última coisa que você queria era estar fora de casa. Justamente quando seu cabelo resolveu armar uma revolução contra você ou quando o zíper da sua saia estourou assim que você sentou na cadeira do restaurante. Porque o lado bom de ser de humanas é saber que o amor não tem fórmula exata para acontecer, dar certo e permanecer (até porque se tivesse uma fórmula eu estaria - isso mesmo! - ferrada).
 
Já conheci pessoas que namoraram por vários motivos: status, pelo medo da solidão, dinheiro, estabilidade, apego; todos os motivos possíveis, menos o essencial: querer o bem do outro e amá-lo. Essas pessoas sim, procuraram e acharam o que elas queriam. Mas o que elas queriam não era o amor - nem sequer algo verdadeiro. É por isso que a gente vê um feed de Facebook ou Instagram em que tanta gente que parece ser feliz, mas no fundo não é. E trai, mente, faz joguinho. E a gente não pode achar que essas pessoas são mais felizes que quem não tem alguém do lado: "Nunca compare o seu interior com o exterior das outras pessoas", foi o que eu li por aí.
 
Você não encontrará o amor da sua vida, mas ele vai acontecer, sim. E o tempo é algo relativo e mutável - hoje só é o ano 2016 porque alguém disse que era. Assim como muita coisa que o senso comum diz que todos encaram como verdade. Não existe tempo, espaço, idade e porquê. O amor é tão grande e poderoso que é independente desses critérios ou de algum outro. E só mostra sua face quando tudo ao redor já é ele mesmo - assim como Isabela Freitas diz, ele vem para os distraídos.