Resenha: Matthew Quick - A Sorte do Agora



A Sorte do Agora conta a história de Bartholomew Neil, um homem de trinta e nove anos que acaba de perder sua mãe - a única pessoa que ele tinha na vida. Então, ele é um homem sem pais, sem emprego, sem saber o que fazer da sua vida e que tem como único consolo um padre amigo da família que acaba de renunciar seus votos e uma conselheira de luto não muito agradável. Ele então acredita que Richard Gere, o astro de cinema, possui alguma ligação significante com todos esses acontecimentos e passa a escrever para o ator - na realidade, o livro é epistolar, com cartas endereçadas a Gere.

"E o que é a realidade senão a forma como nos sentimos sobre as coisas? O que mais importa no fim do dia, quando nos deitamos na cama sozinhos com nossos pensamentos?"

O livro é da Intrínseca, uma das minhas editoras favoritas pelo simples fato de pensar no leitor ao adaptar seus livros (cor e tipo do papel; espaçamento; arte da capa) e ter um social media bem bacana. 
"Mas reconheci uma coisa importante que a maioria das pessoas não entende: aquele sem-teto estava fingindo que tinha o direito de falar aberta e livremente, e fingir pode ser mais importante do que se contentar com o que é aceito como verdadeiro, o que todo mundo aceita como fato (...) Fatos nem sempre são tão importantes quanto o fingimento."


Eu não sei (ainda) o segredo para um livro excelente - mas Quick realmente sabe. É impossível não fazer comparações com seu outro best seller, O Lado Bom da Vida: ambos criam interrupções de raciocínio na mente do leitor, trazem revelações que só são descobertas no final (mas das quais se suspeita desde o início), retratam a anormalidade de uma forma tão sutil que, ao ler as últimas linhas, quem está do lado de cá se sente até mais leve. 


Quick possui uma destreza para retratar e criar histórias em volta de pessoas não-normais - não pessoas que trabalham, estudam, leem ou escrevem blogs - mas pessoas como Bartholomew, padre McNamee, Elizabeth e Max: vítimas da constância do universo que buscam apenas uma existência razoável. A maneira com o que o escritor cria personagens tão singulares é incrível.

"Por que a maioria das pessoas não consegue proporcionar à outra um conto de fadas?"

O ponto chave do livro é a explicação da teoria que o nomeia, criada pela mãe do protagonista: "Sempre que algo de ruim acontece com a gente, uma coisa boa acontece. Normalmente com outra pessoa. Essa é A Sorte do Agora. Precisamos acreditar. Precisamos. Precisamos. Precisamos." Unindo essa Teoria à Teoria da Sincronicidade de Jung, Neil dá seguimento à sua vida, faz novos amigos, viaja para o Canadá para conhecer seu pai biológico (que no final das contas está vivo) e o Parlamento dos Gatos. 

"Eu achava reconfortante ter pessoas ao meu redor. Era como estar envolto em um cobertor com uma xícara de chocolate quente nas mãos durante uma noite de inverno rigoroso."

A história é repleta de ensinamentos de Dalai Lama - que você vai levar para toda a vida; situações tristes e surpreendentes; coincidências e sincronias. Matthew sabe desenrolar situações cativantes em um cenário do qual não se espera muita coisa. Precisava realmente ler esse livro para fechar 2015 da melhor forma possível. Ainda dá tempo de você ler também, recomendo muito! Já quero outro livro de Matthew Quick! 

Espero que vocês tenham gostado da resenha, vem novidade por aí no blog! :)