Pedaços de você


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Um dia qualquer, estava em uma sala de espera e então ouvi um nome bem conhecido. Era a mãe de uma pessoa que foi, por muito tempo, importante e depois foi embora. Essas pessoas que a gente lembra para sempre, sabe? Um turbilhão de memórias invadiu minha consciência - acho que você sabe bem do que estou falando... 

Tem gente que passa pela nossa vida e, mesmo indo embora, deixa pedaços por todas as partes. É ticket de cinema no fundo da carteira, esbarrão com a mãe no supermercado, perfume, placa de carro. E a gente olha, não com aqueles olhos saudosistas de quem quer de volta, mas como quem percebe que foi bom, passou e bola pra frente. A gente deixa de procurar a pessoa em cada lugar que ficou no passado e passa a olhar para frente. Aquela coisa de peito mais leve, entende?


Porque o que a gente não pode, de jeito nenhum, é carregar tudo no nosso peito. Término, pé-na-bunda, traição, decepção: se nós absorvermos tudo de ruim que acontece em nossas vidas, essas coisas acabam definindo quem somos. E eu não quero ser definida por um simples "não é você, sou eu".

Não é porque alguém te traiu que você deve sair traindo por aí e pior, começar a trair a si mesmo. Não é porque alguém foi filho da mãe com você, que você deve ser um filho da mãe também. E assim por diante. As pessoas, como eu já disse, deixam vários pedaços em nossas histórias - bons e ruins - e cabe a nós decidir quais pedaços vamos guardar. Podemos guardar traumas, medo de andar de bicicleta, medo de confiar em alguém e até mesmo se apaixonar. Ou então escolher guardar aquele dia na chuva, o dia em que a gente se sentiu como nunca havia se sentido - o dia em que a gente se sentiu, de fato, vivo. 


Um dos maiores clichês é que a vida é feita de escolhas. Pois bem: espero que você escolha guardar os pedaços bons - nunca conheci alguém que não fosse feliz levando apenas coisas boas consigo. Melhor que levar só coisas boas dentro da gente, é poder transmiti-las. Ser pedaço bom, para alguém guardar também.