O difícil mundo onde ninguém quer abrir mão de algo

Fonte: We Heart It
Diferentemente do que se é mostrado por aí, nós não somos um ser multifuncional, que consegue fazer tudo de uma vez. Que consegue estar em dois lugares ao mesmo tempo, participando simultaneamente da festa de um ano do filho e de uma conferência do trabalho via Skype. Apesar das inovações tecnológicas de cada dia, a gente só consegue focar em uma coisa por vez. Não adianta. Não dá para ler o grupo de WhatsApp com cem mensagens por minuto e, juntamente, dar atenção para quem está na nossa frente. É preciso escolher.

E o problema é justamente este: a escolha. Porque a verdade é que a gente não quer abrir mão de nada. A gente quer a solteirice e tudo que ela pode nos oferecer, mas o domingo chega e a vontade de cafuné, filme e tarde no sofá torna-se gritante. Quer-se estabilidade e também a surpresa do imprevisto. Calor e frio. Emagrecer comendo chocolate. Ficar malhada assistindo à Netflix.

Vivemos, então, nesse difícil mundo onde ninguém quer abrir mão de algo e isso nos prejudica de uma forma imensa. Vivemos relacionamentos nada saudáveis e amizades superficiais. Ter de deixar algo para trás não é, nem de longe, fácil: com a lua em Gêmeos ou não. E nesse emaranhado de escolhas por fazer, a gente vai perdendo o rumo e complicando o que deveria, muitas vezes, ser simples. 

Mas infelizmente a gente percebe que não dá. Não dá pra ficar em cima do muro, levar no banho maria ou deixar sempre para amanhã. Uma hora esse amanhã chega e abala todas as estruturas - e quem não sabia se gostava mais de verde ou azul pode acabar por não ter mais o direito de escolher. Porque nesse jogo de não saber do que se vai abrir mão, a gente acaba machucando quem está à nossa volta. E ninguém merece ou tem obrigação de ficar à mercê da indecisão alheia.

Quem é intenso demais não suporta quem quer deixar para depois. Não é fácil ser 80 quando a pessoa ainda está lá no 44. Não consigo achar aceitável uma conversa sem que se olhe nos olhos e um relacionamento sem que o coração saia pela boca. Sagitário, sabe como é. Que abramos mão do que não nos torna plenos e que em cima do muro não seja o nosso lugar: basta um momento de rotação para que a próxima parada seja nada mais que o chão.