O dia em que eu perdi um grande amigo

Fonte: We Heart It
Eu nunca fui daquelas pessoas que se martirizam com o adeus do outro. Sempre rotulei quem decidia ir embora como "perda de tempo" e pronto: vamos continuar!

Mas esses dias eu me peguei pronunciando em voz alta: eu sinto tanto a falta...! E percebi que algumas pessoas, por mais que tenham ido embora, não são - de maneira alguma - perda de tempo. É como se algumas amizades e relacionamentos fossem programados e com tempo específico de duração - mas nos marcassem e ensinassem coisas valiosíssimas.

Porque eu acredito sim que a vida é um roteiro escrito pelo destino, com alguns improvisos por parte dos atores. Acredito que cada transeunte dos nossos dias tem seu porquê e seu porém. Mas quando a visita de algumas pessoas, em especial, chega ao fim, dói. Dói demais ter que dar tchau, mesmo que seja o melhor a se fazer.
 
Chega a hora de se percorrer outros caminhos (o destino vive recalculando rotas), mesmo que a gente não queira. E mesmo que a gente não queira também, os transeuntes abandonam a nossa estrada. Acontece. E a pior perda é aquela que você vê quase todos os dias. Que continua ali, vagando por outros caminhos, mas sem você. E tudo parece estar bem.

Eu já dei adeus a vários visitantes, mas alguns doem mais do que o normal. Doem porque eles eram mais que visitantes: tornaram-se moradores. Moravam dentro do meu peito. E às vezes decide-se reincidir o contrato - por parte do contratante ou então da contratada. É difícil, depois, tirar os quadros das paredes e abrir as janelas para arejar o ambiente. Mudanças nunca foram fáceis.

Mas o tempo nos ensina que nós não o desperdiçamos. E que devemos continuar extraindo dele tudo o que conseguirmos - afinal, ele sempre faz questão de lembrar que é imprevisível. No final das contas, tudo não só parece, como também está bem.

Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar
E assim, chegar e partir

Hoje, mesmo com o coração doendo de saudade, eu digo obrigada. Não quero em nenhum momento mais me arrepender de esbarrar em alguém ou ficar horas conversando sentada na calçada. Obrigada. Obrigada. E obrigada. Jonh Green já nos ensinou a encontrar o infinito entre o 0 e o 1. Hoje eu aprendo a buscá-lo entre cada nascer e pôr de sol. A gente deixa de gostar, mas nunca deixa de amar: de tudo o que eu vivi, foi isso que eu aprendi.