Gente que sente demais

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Tem gente que aparenta carregar o mundo todo nos olhos. Outros, nas costas. Parece que algumas pessoas não se acham no direito de fraquejar: e nós somos fadados a isso. À beira dos meus vinte anos, ainda preciso (de vez em quando) deitar no colo da minha mãe quando o mundo é só pedra. E isso é normal. 

A verdade é que a gente precisa de muita coisa: precisa de carinho, de apoio, de uma pausa e chances para recomeçar. Quando você acha que está prestes a se tornar independente em qualquer situação, descobre que precisa mais do que nunca dos outros. 

E tem gente que sente demais. Gente que só de olhar, a gente sabe. Gente que tenta ser muralha, tenta ser ilha isolada. Eu tenho vontade de colocar todas essas pessoas no meu colo e dizer: permita-se fraquejar. Porque todos nós somos fracos e vulneráveis a qualquer recálculo de rota do destino. É loucura pensar que chorar é feio, errar é imperdoável e cair é vergonhoso. 

Se você é uma dessas pessoas-mulharas, guarde: suas costas só aguentam você; seu coração, só coisas boas. No resto a gente deve por um fim. Que seja através das lágrimas, socos na parede ou num ombro amigo. O que não podemos é deixar uma vida inteira engasgada na garganta: uma hora, sufocamos. 

A gente pode até tentar disfarçar e arranjar maneiras de mostrar que está tudo bem. Na correria do dia-a-dia e na desatenção de alguns, isso pode dar certo por um tempo. Mas os nossos olhos sempre contam tudo - uma vida inteira é narrada por eles. Se você tenta ser muralha, eu aconselho: às vezes, é melhor desmoronar.