Feliz dia do: vida mansa, né?

Tem gente que nem sabe, mas hoje é dia do funcionário público. Aliás, nem eu lembrava mais que hoje era meu dia. No meio do trabalho, meu banco me mandou uma mensagem:
Servidor público, parabéns pelo seu dia. Temos muito orgulho de ter você como cliente.
Tá. Todo mundo sabe que esse orgulho é pela movimentação de conta e as possíveis contratações de plano de previdência privada (com dezenove anos, já imagino que quando eu for me aposentar, nem exista mais aposentadoria, rs).

A questão é que foi criado um estereótipo de que funcionário público não trabalha. Passa o dia coçando, isso mesmo, o saco. E quando o banco faz greve? "Mas você trabalha no ar condicionado, de terno - nem cansa!" (Isso porque os bancários são regidos pela CLT... Mas enfim.) Se você, depois de passar anos estudando, trocando baladas e tantos outros lazeres pelos livros, entra em uma vaga pública, pronto: sua vida está feita! Você nunca mais precisará fazer esforço! Não é bem assim.

Nós trabalhamos, sim. Trabalhamos por nós e por aquela vaga que não é preenchida para "diminuir o tamanho do Estado". Trabalhamos até de luz apagada, porque agora temos que cortar gastos. Assim como tantos outros, trabalhamos. Também nos estressamos e queremos chutar o balde. No ar condicionado, ou não.

O que eu percebo nitidamente hoje é a cultura da inveja. Vê-se as pingas que se bebe, não os tombos que se leva. A pessoa luta para conseguir uma vaga, ilude-se com os vários "aprovado" e nunca "convocado". E quando finalmente entra para um órgão, vira o engomadinho da roda de amigos. Vira o almofadinhas que "teve muita sorte".

Você teve muita sorte! Que funcionário que ingressou via concurso público nunca ouviu isso? Você realmente teve muita sorte por abster-se de várias coisas legais e preferir o livro. A vídeo-aula. A bendita lei 8666  que repercute até hoje na minha cabeça. Eu realmente acho que é tudo muita sorte.

Funcionário público, parabéns. Parabéns por não endoidecer com os estereótipos criados em cima de você. Para as exceções que comprovam a regra: tomem vergonha. E que a gente não desista e tenha orgulho do que somos: mesmo com diminuição pra cá, corte de gastos pra lá. Que sejamos vistos como pessoas competentes e não pessoas "de sorte". Afinal, o máximo de sorte que experimentei foi uma cartela cheia no bingo.