Eu nunca disse que havia desistido do amor

Fonte: We Heart It
Todo mundo gosta de decretar qual o mal do mundo ou do século. Infelizmente, creio que não exista apenas um para ser decretado. Um deles, com certeza, é a má interpretação que as pessoas fazem de tudo o que a gente fala ou faz. Sempre achei incrível a habilidade que os outros têm de invadir a vida, comportamento e coração de quem só está ali para viver essa vida do jeito que tem de ser. 

Pois bem, em primeira pessoa mesmo, eu sempre preguei o lema de afastar da nossa vida aquilo que nos faz mal. Em outras palavras, o desapego (vide Isabela Freitas). Mas algo que eu nunca disse e nunca vou dizer é: eu desisti do amor. 

Como a gente pode desistir de algo que se manifesta em diversas situações, pessoas e intensidade? Porque, meu caro, se você acha que o amor está só em um relacionamento que, nos padrões da sociedade, deve acabar em um casamento mantenedor de aparências, você tem muito o que aprender nessa vida. 

A gente encontra o amor quando chega em casa e tem um ser cheio de pelos pronto pra lamber nossa cara. Também quando um amigo surge na situação mais adversa ou na fila do banco mesmo. Quer coisa mais linda do que ter a certeza de que o universo, Deus, ou qualquer outra força maior colocou certa pessoa exatamente no nosso caminho? Porque eu acredito sim que estamos predestinados a cada pessoa que aparece na nossa jornada na Terra.

É claro que o amor que tira nosso fôlego, arrepia cada milímetro de pele e embrulha o estômago a níveis sônicos é uma das viagens obrigatórias a se fazer. Mas acontece que a viagem pode acabar - como eu li um dia, a gente precisa entender que o outro tem vários direitos, inclusive o de não nos querer mais. E aí é que está: isso não pode fazer com que você desacredite ou passe a subestimar esse sentimento. É loucura odiar todas as rosas porque uma te espetou, dizia o Pequeno Príncipe.

Encaramos diversas barras durante a vida: desilusões, decepções e traumas. Mas elas não podem, em nenhuma circunstância, definir quem somos. Ainda mais, não podem definir o que a gente tende a sentir. Porque eu não sei se eu vou viver 20, 50 ou 90 anos. Espero que o tempo seja generoso comigo, para que eu possa amar cada dia mais e de maneira mais saudável. Mas como a incerteza, em partes, nos move, hoje eu peço que eu seja só amor: sem preconceitos, sem pudores e sem precedentes. 

O amor é camaleão, pois assume diversas formas; é fênix, pois tem o poder de renascer; é vento, pois está em todo lugar; é divino, porque tem o poder de mudar o mundo. Se nós não acreditamos naquilo do qual viemos ou nos cercamos, olha: eu não sei no que mais poderíamos acreditar.