Se alguém te chamar de infantil, sorria

Fonte: We Heart It
Um dia pedi para uma criança de uns seis anos escrever em um papel o que a gente precisava fazer para ser melhor e mais feliz. Quando li as palavras enumeradas naquela caligrafia forçada de quem ainda escreve o N invertido, senti o baque. Não tinha nenhum iPhone 6 (ah, verdade: agora já é o 6s), nem viagem para o exterior e muito menos carro do ano ou apartamento. Uma das coisas - e a que mais me chamou a atenção - era: não guardar mágoa ou rancor. 

Eu sinceramente não lembro o nome daquele menino e também sei que, se ele me encontrar na fila do supermercado, não vai lembrar de mim. Mas o que eu enxerguei dentro de suas palavras muito provavelmente me iluminará por muito tempo. Espero que para sempre. 

Como uma criança de seis anos conhece tão simploriamente o segredo da felicidade? Enquanto nós adultos precisamos consultar Platão, Nietzsche, Freud, psiquiatras e doses de clonazepam para sequer chegar perto? Já dizia o Pequeno Príncipe: "os adultos não entendem nada sozinhos!", e por que somos assim? Por que sobrecarregamos de nuvens negras nossos problemas ao invés de enxergá-los com olhos de criança? 

Quando se é pequeno, tudo é sim, não, gosto ou não gosto. Não existe depende, vamos marcar de fazer algo ou não sei por que me sinto assim. A gente cresce e, ao invés de aprender, parece que desaprende. Não perdemos só a vitalidade e agilidade dos músculos: perdemos a simplicidade, a humildade e o brilho no olhar. Foi-se o tempo em que, para nós, felicidade era ganhar umas moedinhas para gastar em doces. 

Hoje ganhamos peso nos ombros, sombras na mente e medo nos olhos. Colecionamos mágoas e não mais tampinhas de garrafa.

Diariamente me esforço em voltar a ser simples e principalmente, não guardar mágoas - elas são o mais caro excesso de bagagem a se pagar. Que a gente recupere o olhar sem preconceito, o sorriso sem malícia e a graça de sonhar. Que a gente não volte nossos objetivos ao acúmulo de dinheiro ou rancor. E um segredo: se alguém te chamar de infantil, sorria: isso não passa de um elogio.